Dezembro 4, 2007

Se essa moda pega, onde vamos parar?

 No país das contradições e da dualidade, agora, erros de português levam pessoas pra cadeia. Ouça e veja matéria. Este  fato  é a uma prova cabal das mazelas sociais e da ausência do estado em diversos setores. A falta de escolas, de saúde e  de elementos que  levem  os cidadãos a terem uma  vida digna, empurram milhares  de “Josés”, e até mesmo ”Marias”, para a vida do crime.Por estes motivos o nosso sistema carcerário está falido.

Impório ou empório, a dúvida não é a gramática, e sim, que país é este? Que prende até adolescente feminina em celas com 20 homens.

Escrever, os políticos e os homens responsáveis pelas leis sabem, no entanto, precisam aprender o significado das palavras: respeito e dignidade.     

Dezembro 1, 2007

Cenário Político em retrospectiva 2007

      Renan Calheiros  renunciou, e foi  absolvido em todas as  votações. A crise aérea  foi ampliada pelo maior acidente da aviação nacional, a  CPMF volta a  cena nas festas de fim de ano. Discussões a cerca destas temáticas permearam os noticiários do país no ano de 2007. O Brasil assistiu mais um ano de denúncia de corrupção, desvio do dinheiro público, megas operações da polícia federal e as constantes disputas entre situação, oposição, inflamada pelo grupo dos políticos do chamado  bloco livre ou bancada da abstenção.


      A queda de braço dos oposicionistas e governistas nunca foi tão acirrada. Verdadeiras batalhas foram percebidas no congresso e no senado  nacional. E, no fim do ano, chega com toda força a disputa pela manutenção da CPMF. De um lado, o governo federal e os partidos da base aliada, defendem a manutenção, do outro, Democratas (DEM), PSDB e partidos descontentes defendem sua  extinção. A votação passou pelo congresso, falta agora o senado, que tem até o final do ano legislativo pra votar.
       Nesta disputa, nem os escândalos ficam imunes. O valerioduto ou mensalão que atingiu políticos da base aliada e do PT em outros tempos, chega, neste ano, ao PSDB, com  Mensalão Mineiro. Segundo denúncias do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, foi desviado 2 milhões de verbas públicas na campanha da reeleição do então governador, hoje, senador Eduardo Azeredo (PSDB). Em conseqüência das acusações o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia foi substituído.
      O poder Judiciário realizou ações na tentativa de coibir desvios do erário público e pôs fim no troca-troca de partidos. A  fidelidade partidária foi aprovada por unanimidade pelo Supermo Tribunal Eleitoral, STF. Os mandatos de senadores, governadores, prefeitos,  vereadores, deputados e do presidente da República pertencem aos partidos e não mais aos políticos.

A atuação da policia Federal repercutiu em todo país. Como exemplo tivemos a Operação Navalha, que desmontou uma quadrilha que fraudava licitações de obras públicas, inclusive  obras do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento e do Programa Luz para Todos. Envolvidos nas acusações estão empresários, prefeitos, deputados, ex-governador. No total foram expedidos 48 mandados de prisões e 46 pessoas foram presas. A Construtora Gautama, do empresário Zuleido  Veras, era  o principal elo de ligação nas fraudes.
      Enquanto isso, as reformas políticas, trabalhistas, tributarias, entre outras, não são realizadas a contento. O  povo brasileiro vai assistindo a mídia repetir as notícias de escândalos em todos as áreas. O Brasil prende alguns corruptos, mas, no entanto, prende também, adolescente menor de idade em celas com 20 homens. 2008 é ano de eleição e é  interessante fazer sempre uma retrospectiva, seja ela política, econômica, científica ou esportiva

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Acordo  com PSBD pode garantir aprovação da CPMF no senado, defende lider.

Novembro 13, 2007

Literatura: interatividade mental.

Em um instante consagrado se consegue a eternidade, assim é a literatura. Esta se reveste de atemporalidade.  O mais fascinante, e o que faz com que isso se torne possível,  é que um texto literário é sempre um outro texto. Ele diz o que diz, mas a sua melhor trilha está em percorrer o indizível, ser transeunte das palavras. Estas, ganham vida própria quando embebidas de poesia, e se transformam em labirintos, onde a melhor saída é continuar sempre tentando sair e, em cada nova tentativa surge um outro ser. Este novo ser é o homem análogo do homem.


Afirmar que qualquer análise, por melhor que seja, venha conseguir  extrair de  textos literários sua plenitude, é creditar fim a poesia. Mesmo porque a nossa compreensão atual é um resultado de nossas experiências de vida e nós somos sempre suscetíveis à mudança. O certo é que as indagações suscitadas pelos contos, pelas poesias, pelos romances lidos passam agora a fazer parte do nosso ideário. Esta retroalimentação poesia, vida é o que faz a arte ser constantemente eternizada. 
Na tentativa de compreender a literatura precisamos ser múltiplos e, nesta multiplicidade nos apropriamos das idéias de outrem e nos transformamos em facetas em constante ebulição. As palavras ganham liberdade e, por mais estranho que pareça esse vôo, aparentemente sem fronteiras, nos aprisiona dentro da própria liberdade. E assim é a vida, somos livres ou pelo menos pensamos ser.
Liberdade é ter certezas e nós devemos destruir verdades absolutas. E, neste momento tudo parece ser evidentemente claro, esta verdade perdurará até um outro instante de liberdade, que vive neste ir e vir constante, o qual transforma a vida em vida.
Quem poderá afirmar qual estrada seguir, e se a decisão foi a correta? Uma vez feita a escolha jamais seremos nós outra vez, até mesmo se nos depararmos com a mesma situação, o ser humano que ali está não será mais o mesmo. Mas o importante é conhecer, desconhecer e surpreender-se consigo mesmo o tempo todo. Devemos ir mais longe, bem mais no deserto e fazermos a nós mesmo novas perguntas, novas interrogações, NOVAS INTERATIVIDADES.


Outubro 29, 2007

Em época de aquecimento global, até o Nobel da paz aquece o planeta

 No último dia 12 de outubro, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, tornou-se o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2007. Este título lhe foi atribuído por divulgar amplamente o perigo do aquecimento global  e as conseqüências que isso pode provocar no mundo. A premiação atraiu os olhares  para uma questão atual, mas acabou  aquecendo o clima na comunidade cientifica.

 O prêmio está relacionado com o filme chamado “Uma Verdade Inconveniente”, produzido por Al Gore, em 2006,  que evidencia a correlação da emissão de dióxido de carbono com o aumento de temperatura no planeta, sendo inclusive, ganhador do Oscar de melhor documentário.

Apesar da visibilidade  que este filme deu a causa do aquecimento global, membros da comunidade cientifica não vêm esta premiação como a mais correta. No site MeteSul Meteorologia encontra-se uma série de críticas direcionadas ao ganhador do prêmio. Muitas destas críticas são proferidas por cientistas, inclusive, muitos desses, consultores que auxiliaram Al Gore na produção do documentário. Segundo eles, o filme traz erros e exageros que estão distantes dos fatos reais. Richard Lindzen, do Massachussets Institute of Technology e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, define o documentário como “puro alarmismo”.

 Na contramão dos críticos, a Espanha quer o documentário de Al Gore nas escolas. O governo vai comprar 30 mil cópias, que custarão aos cofres públicos espanhóis cerca 580 mil euros. As cópias serão entregues gratuitamente a todas as escolas que solicitarem.

  Membros do Comitê do Nobel da Paz argumentaram que esta premiação pretende chamar a atenção do mundo para os prejuízos que o aquecimento global traz, uma  vez que os fatores climáticos podem ameaçar, inclusive, a paz no planeta. O comitê negou qualquer cunho político, já que os EUA estão vivendo o clima de escolhas dos candidatos para o cargo de presidente em 2008. 

  Este prêmio projeta o nome do ex-vice presidente na suposta pré-candidatura pelo partido democrata. Ele foi derrotado por Jorge W. Burch, em 2000. Mas ele diz que o fato de ter recebido o Nobel não muda seus planos e continuará  desenvolvendo trabalhos na área ambiental.

 O Nobel será dividido com cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas – IPCC, que é tido como a principal autoridade científica sobre aquecimento global. Os vencedores receberão, em 10 de dezembro, uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de 10 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 2,7 milhões.

A questão do aquecimento global altera a clima em todo mundo, chove menos em alguns lugares, ventos e tufões destroem cidades inteiras. No Brasil, alterações climáticas já evidenciam que a ação do homem podem destruir o planeta. 

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Al Gore e ONU recebem Nobel da Paz

Conseqüências do Aquecimento Global

Crianças são as maiores vítimas do aquecimento glogal

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Outubro 15, 2007

Escola do tráfico

                Ao nascer do dia, quando o sol ilumina as manhãs, muitas crianças saem para a escola. A maioria delas armada de sorriso e sonhos.No entanto, na escola do tráfico, as armas são os instrumentos utilizados para escreverem sua curta história. A borracha raramente pode ser usada. Não existe rascunho. O texto da vida é sempre o original.

A primeira professora não ensina mais o beabá, as lições não apresentam conteúdos compatíveis com a idade, o material didático não é colorido. As cores que predominam são o metálico das armas, o branco do pó e o vermelho do sangue.
A metodologia mais apropriada é olho-por-olho, dente-por-dente. O único elemento escolar que encontra espaço definido é a disciplina. Afinal, os mestre, os diretores adéquam às regras, não as necessidades dos alunos e sim, às necessidades de sobrevivência.
Nos primeiros boletins, as notas são AR-15, 38, 3 mortos, 2 assaltos. Caso seja aprovado, ou melhor, permaneça vivo, passa para o ensino fundamental e médio. Fundamentalmente se especializa em muitos crimes.
Se no Brasil a  chance de alunos comuns chegarem à universidade é pequena, na escola do trafico a chance é remotíssima. Pois a carga de estudo, ou seja, balas, perfurações, facadas, põe fim na vida acadêmica/criminal de crianças que são recém saídas da infância e são reprovadas no vestibular, no qual não existem múltiplas escolhas e sim duas alternativas: Matar ou Morre.    

Outubro 9, 2007

Olhe o Troca-troca. Larga que o voto é meu

        Na feira livre chamada Brasil tem de tudo. Comercializa-se qualquer produto: bananas, disse-me-disse, maracutaias.  Mas a política mais utilizada é a do troca-troca. Troca-troca  de favores,  troca-troca de acusações  e, principalmente, troca-troca de partidos. Mas, esse último troca-troca está na entressafra.

      O lema agora é “Fidelidade Partidária”. O  Supremo Tribunal Federal decidiu que o mandato pertence ao partido e esse produto nacional desapareceu das bancas, das câmaras, das quitandas, do congresso, dos carrinhos de mãos, do senado e, até quem sabe do velho bocapio.  

Porém, na feira livre de verdade, os brasileiros podem pesquisar, pechinchar e levarem o produto que quiserem. E nesta, nem fomos cosultados. Você foi?

Não concordo nem discordo, muito pelo contrário. Mas gostaria de ter sido questionado. Já fizeram referendos sobre imperialismo, monarquia, desarmamento. Respondemos pesquisas eleitorais constantemente e nessa decisão nem lembraram de nós.

Mas, o voto em questão é o nosso e decidiram de quem era ele.  Parece que democracia é produto de luxo que não é vendido na feira livre chamada Brasil. Olhe a banana, olhe o chuchu e olhe o seu voto nas próximas eleições, pois ele corre o risco de não caber na sacola. 
 

Setembro 28, 2007

Dupla jornada de trabalho e a emancipação feminina

              A consolidação do capitalismo mudou decisivamente o papel das mulheres na sociedade. Ao longo dos anos, a mulher acabou tendo que participar ativamente da economia familiar. Segundo o estudo realizado pelo IBGE, a participação feminina no mercado não provocou a diminuição de suas atividades domesticas. 94% das mulheres, com idades compreendidas entre 25 e 49 anos, trabalham fora e  ainda se dedicam aos afazeres domésticos, inclusive cuidar dos filhos. Fato que  provocou a dupla jornada de trabalho.

            “Cada  vez  mais a  mulher  ocupa  espaço nesse competitivo mercado, tendo que exercer funções fora e dentro de casa” enfatizou  Ângela Sousa, deputada estadual da Bahia. Para ela, a dupla jornada de trabalho faz com que as mulheres possuam um sentido de responsabilidade muito grande, no entanto, ela acredita que a sociedade ainda não aceita completamente o papel da mulher de negócio, o papel  da mulher na vida pública.
 Emancipação feminina
             Cristina Mascarenhas, professora da Faculdade 2 de julho, produtora e editora de rede de uma TV local, não executa trabalhos domésticos. “Não fui criada para ser Dona de casa”, frisou. Entretanto, sua cargo  horária semanal é prova da emancipação feminina conquistada nos últimos tempos.
            “Trabalho na TV todos os dias das 7 às 14 horas, tenho folgas alternadas nos finas de semanas e  em um regime de plantão trabalho  alguns domingos no mês das 15  ás 22 horas”, relatou Cristina, que completa suas atividades semanais ensinando na F2J de segunda a quinta, tendo dias que leciona das 14 às 22 horas. 
             Quando questionada porque tantas atividades, ela respondeu que busca estabilidade financeira, e com bom humor concluiu: “Todo dia desejo ganhar na loteria”, curiosidade, ela não joga.  

       Na contemporaneidade a  dupla jornada de trabalho atinge diversas classes. Este  fenômeno também é percebido por cidadãos que trabalham e estudam.

              Algumas pessoas, que hoje têm estabilidade financeira, tiveram que lidar  com está realidade durante muito tempo e hoje, aprenderam as lições que esta situação gera.

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A mulher e a dupla jornada de trabalho

Portal  de Ginecologia. O site da mulher na internet

Trabalho doméstico ocupa  90% das brasileiras, diz IBGE    

Trabalhar e estudar

Setembro 27, 2007

Quando acabará o calvário de Renan Calheiros, e o nosso?

Eis as notícias. Tudo que já falaram dele ou ainda falam é um fato jornalístico. Aqui não pretendo emitir juízos de valores em relação a este fato, já que minha opinião será pessoal. A questão aqui é outra.
Cada dia são novas versões, novos desdobramentos, e assim ficamos nós (eleitores, leitores), neste mar de opiniões. O senador da terra de Heloisa Helena se defende e, este direito é facultado a ele pela lei. Ainda bem  que o país conseguiu o direito de liberdade de expressão.
Porém, ficamos meio sem saber qual o nosso próximo passo. Nós, a sociedade civil nada organizada, estamos meio sem direção. O mundo se desfaz rápido demais. Surgem movimentos “democráticos” a todo instante. CANSEI por exemplo.
Este calvário parece não ter fim. São 40   novos velhos conhecidos se defendendo, nem sei se  o crime é outro, mas, ocorre a reedição dos fatos. Como se os novos já não bastassem.
Enquanto isso, nos bastidores da vida, estão as favelas, as balas que já não se perdem mais, os cidadãos morrendo nas filas dos hospitais, e até mesmo um Brasil que merece louvor, um país que dá certo em alguns aspectos.
As histórias se repetem sempre, mudam-se os personagens, os discursos, e o povo continua igual. Às vezes, o calvário, o nosso é claro, é não saber o que fazer. A mídia nos preenche de informação e juízos de valores,( o mito da imparcialidade já não existe mais), diante de tanta informação o povo se perde literalmente.
O estado já não da mais exemplo. Diante destas discussões políticas,  ouvi uma mãe dizer para uma criança de 7 a 8 anos : “Não confie em ninguém”, me assustei, e espero que vocês tenham se assustado também. Pois quem não confia em ninguém, não se precisa fazer confiar. 
Desse jeito, quando terá fim o nosso calvário? O de Renan podemos até elaborar um fim.Mas, o nosso, temos que elaborar é um recomeço.

Setembro 27, 2007

O feriado é da independência ou do Judas?

Judas traiu Cristo, está na bíblia. E há quem diga que esta versão  não é a verdadeira. Mas, dicotomias religiosidade a parte, ficamos com a idéia do discípulo como Traidor.
 No feriado da Semana Santa, acontece  a queima de Judas. As pessoas põem fogo no boneco que simboliza metaforicamente o Iscariotes.
Para minha surpresa, estava eu, aproveitando o feriado para  minhas leituras matinais,  e deparei-me com uma matéria intitulada: “Aliados de Renan temem “traições” na sessão secreta”.  .  Busquei de pronto os dicionários. Queria ver se o que minha saudosa professora do jardim de infância tinha me ensinado, estava errado. Nas aulas de religião e catecismo aprendi que traição era ludibriar um amigo, prejudicar intencionalmente um cidadão, era fazer o que Judas vez.
Agora, nas vésperas da votação no senado do processo de cassação de Renan Calheiros, por quebra de decoro parlamentar e outras cositas mais, tanto os aliados do senador quanto os que estão contra agora,  temem por traições.
Acho que os senadores temem é não conseguir esquecer o pai nosso, quando diz “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixem cair em tentações” mas, não nos  livra dos mensalões, AMÉM.

      O povo brasileiro assiste tudo sentado. O movimento Cansei, não atinge esta classe. No ano que vem tem eleição, e nós vamos por fogo é no pobrezinho do Judas que cometeu um só pecado e queima para o resto da eternidade.
Será que o  feriado é mesmo da INDEPENDÊNCIA, ou dos Judas ?

Setembro 27, 2007

Este País realmente não tem jeito

 A grande  mídia  esta indignada com a absolvição de Renan Calheiros. A população sem muita coragem de pensar, de um modo geral, embarca e profere o mesmo discurso. Não estou defendendo, nem concordando com o resultado, há muito tempo não perco meu tempo com estas coisas de voto. Cada senado tem o presidente que merece. No momento, não quero achar nada. Afinal, não estou procurando algo tão distante. Os nossos problemas, os reais, estão bem mais próximos. 

 Hoje, depois do resultado da não cassação, peguei meu ônibus e no mesmo caminho de sempre para voltar pra casa, vi duas mulheres revoltadas com o ocorrido. Para minha surpresa, percebi que elas estavam sentadas nos lugares destinados a idosos, gestantes e  portadores de necessidades especiais. Até aí tudo normal, nada que não me fizesse aceitar impassivelmente a retórica da mais exaltada. “Este país realmente não tem jeito ”. 
Algumas pessoas concordavam, outras pareciam nem saber que idioma era aquele que se falava. Mas, bem defronte do centro da indignação, uma senhora, que aparentava aproximadamente uns 70 anos se espremia entre braços e pernas. A sua altura não lhe permitia alcançar o ferro de apoio e sua mão já frágil buscava um lugar que pudesse ser seu porto seguro.
Aquela anciã, que foi desrespeitada pela absolvição de Renan, estava sendo desrespeitada mais uma vez. A cadeira que não lhe cediam é a mesma cadeira que Renam não cedeu.    
Por alguns instantes pensei em não me intrometer na conversa, mas, a indignação que tomava conta do país falou mais alto. Encostei nas moças, e fui logo direto ao ponto, pois dali a dois pontos eu desceria. _ É realmente um absurdo o que o senado fez. Falei eu, elas concordaram de pronto com minhas palavras. Então continuei: Quantos senadores votaram? Uma delas respondeu: foram 40 votos a favor, 35 contra e 6 abstenções. Então afirmei: 81 votos. 81 cadeiras e Renan consegue permanecer sentado.
A gente fica indignado, continuei, e elas concordavam com tudo e ficavam mais exaltadas ainda. Perguntei: quantas cadeiras temos neste ônibus? Não souberam responder. Prossegui: Vocês, que não acham justo que Renan continue sentado na cadeira da presidência, acham justo que esta senhora esteja de pé e vocês estejam sentadas no lugar direcionado a ela.  _ São instâncias diferentes, responderam elas. Diante dessa resposta, resolvi não mais argumentar.    
 Fiquei mais espantado ainda, quando a senhora que estava em pé me falou que já estava acostumada com isso tudo. Que ela não fazia questão de sentar e que eu estava era me aborrecendo e ainda poderia acabar arrumando briga Foi quando ela DECRETOU: “Deixa pra lá meu filho, este país realmente não tem jeito”.

Desci no meu ponto de ônibus e perguntei-me: até que ponto vai a indignação desse país que parece realmente não ter jeito.